Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Impossivel voltar atrás no Tempo...

imagem retirada da net

 

-ficção-ficção-ficção-ficção-ficção-ficção-ficção-ficção-ficção-ficção-ficção-ficção-

 

Trai e agora não sei como voltar atrás. Pergunto-me porque o fiz. A resposta é amarga, demasiado amarga. Trai e agora sinto o peso do remorso a pairar sobre mim. Sinto um aperto no peito. Algo se partiu em mim.

Fiz tudo sem pensar. Aquela conversa. Depois, a meio hesitei. Mas por fim continuei a história que haveria de mudar o curso de várias vidas. Dava-me jeito, sei agora. Ela desconfiou que fui eu quem lhe disse. Que fui eu quem levantou o véu da discórdia. Tinha-lhe prometido jamais contar a verdade e falhei. Trai a sua confiança. E na verdade ele não lhe perdoou. A minha amiga teve um filho e esse filho não era do marido. O marido era meu amigo e o filho não era dele e no entanto, foi a ela que prometi não contar a ninguém a verdade, mas acabei por trair a confiança dela. Sim, eu gostava dele e achei que ele não merecia ser enganado assim. Mas quem era eu para julgar? Ninguém. Eu não era ninguém, era uma simples transeunte nesta vida ingrata. Mas arvorei-me em juíza e contei uma verdade inconveniente que acabou com duas vidas. Três vidas até. O filho também sofreu com isto.  Uma mulher que ficou destroçada, um marido que ficou com raiva, um filho que ficou desiludido. Três vidas mudadas para sempre porque eu me julguei no direito de julgar os outros. Quando penso no assunto digo para mim própria que estava a fazer bem, porque ninguém merece uma mentira destas, mas foi o egoísmo a falar mais alto, na cave mais funda e escura do meu ser, imaginei que ele ficaria comigo depois de saber a verdade. Não ficou. Ficou sozinho a lamber as feridas. Imaginei que não perderia a minha amiga, que ela compreenderia e perdoaria, não perdoou. E o filho deixou de me falar por revolta de lhe ter causado tanta dor… estraguei três vidas afinal. Quatro vidas, até. Também estraguei a minha. Nunca depois desse dia dormi uma noite inteira. Nunca depois desse dia deixei de sentir uma ponta de tristeza e amargura. Nunca depois desse dia me senti feliz por muito que o sol brilhasse.

Trai. Trai a confiança de alguém que confiou em mim. Nada justifica isso. Nada nos dá esse direito. E agora não há forma de voltar atrás, porque é impossível desdizer o que já se disse, impossível apagar as nossas acções, impossível voltar atrás no tempo.

Impossível voltar atrás no tempo…

 

 

 

(texto de ficção escrito para a "Fábrica das Histórias")

 

 

sinto-me: pensativa
publicado por magnolia às 18:37
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6 comentários:
De Cloudy a 18 de Novembro de 2008 às 18:47
As traições trazem sempre um peso para todos os lados, bem expressas neste texto! Beijinho grande
De magnolia a 19 de Novembro de 2008 às 17:58
Obrigada Cloudy:)

Este tema é duro...

Beijinhos
De Marta a 19 de Novembro de 2008 às 15:30
Impossivel refazer .. lindo

Beijinhos
De magnolia a 19 de Novembro de 2008 às 18:08
Olá Martinha:)

Obrigada

beijinhos!
De Alfa a 22 de Novembro de 2008 às 07:05
Muito bom, gostei muito.
De magnolia a 24 de Novembro de 2008 às 09:03
Muito obrigada Alfa:)

Beijinhos

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