Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Lua Cheia

imagem retirada da net

Às vezes sonhava que era princesa, outras que era cientista, haviam dias em que era professora e noutras era policia. Mas nada me dava mais prazer do que ficar a olhar longamente a lua cheia lá bem alta no céu e imaginar  que era uma fada e podia voar até lá.

Ficava assim horas, sentada no peitoril da janela, a cabeça encostada na portada, a sonhar acordada...

Sonhava que voava feliz pelo céu, descrevendo piruetas ao som de uma melodia encantada. Sonhava que me punha em pontas como as bailarinas, abria os braços num movimento gracioso e subia até às estrelas sempre com um sorriso nos lábios. Tocava uma a uma com a ponta do dedo e ela brilhava mais intensamente como se lhe tivesse feito cocegas.

Nessas alturas vestia uma tunica de seda alva, tão alva como a propria lua e a brisa suave da noite de verão movia-a de uma forma tão gentil que mal chegava a sentir.

Depois quando me cansava da dança subia mais um pouco em direcção à lua cheia, vendo-a cada vez mais perto, cada vez mais perto, até ser tão grande que a minha vista não a conseguia abarcar. Devagarinho deixava-me envolver pela luz branca da lua e lentamente ia descendo, descendo, cada vez mais devagarinho até tocar a lua com a pontinha do pé...

A lua é macia, feita de algodão branco e fofo. Deitava-me nela para descansar das danças loucas da noite.  Era tão bom ficar deitada na lua a olhar as estrelas a brilhar no firmamento e a inventar historias para cada uma delas. De repente uma estrela cadente atravessa o ceu e eu desejava agarra-la. E um dia consegui, agarrei uma estrelinha cadente muito pequenininha e coloquei-a no meu cabelo para o enfeitar.

Depois quando me cansava de descansar na lua, voava novamente no firmamento sem pressa nem destino.

Ainda hoje quando olho a lua cheia não consigo deixar de sorrir, os meus olhos não conseguem deixar de brilhar e pela coluna passa um arrepio lembrando as vezes que sonhei com ela, sentada na minha janela e que fui tão feliz...

 

 (ficção para a "Fabrica de Histórias)

sinto-me: sonhadora
publicado por magnolia às 21:23
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Um dia normal

imagem retirada da net

Quando o despertador tocou e abri os olhos devagarinho, o sol já entrava pela janela dizendo claramente que estava na hora de levantar! Depois de espreguiçar longa e deliciosamente levantei-me e fui tomar um banho rejuvenescedor!

Depois foi uma corrida contra o tempo! Roupas, sapatos, escovas de dentes, cabelos penteados e algumas vezes despenteados, tudo uma grande confusão! Engolir o pequeno-almoço e pegar em malas, malinhas, casacos e casaquinhos e ala que se faz tarde! Todos para o carro! Era hora de ir por os miúdos na escola e ir trabalhar mais um dia no mundo louco dos adultos!

Claro que pelas nove já estava cansada e já me apetecia voltar para a caminha que estava tão deliciosamente confortável. Uma dose de cafeína ajudou a resolver o assunto!

Depois, entre papeis e lápis e canetas e clientes e telefones lá passou a manhã

O almoço foi especial. As vezes concedo-me esta pequena extravagancia: um belo cachorro cheio de molho e batatas fritas! Claro que foi preciso engoli-lo quase de uma vez só porque uma hora nao chega para nada!

Eram quase sete horas da noite e eu já estava de cabelos desalinhados, cheia de calor e uma dor de cabeça terrivel! Os papeis parece que nascem na secretaria, como se tivessem o poder de se multiplicar em segundos! O chefe a perguntar a toda a hora se já fiz isto e aquilo e eu a ter que dizer a toda a hora que ainda não fiz isto e aquilo porque ainda não houve tempo porque primeiro estão os clkientes..uf uf uf... sou eu a arfar depois de tanta corrida!

Depois de sair do trabalho, o que só consegui muito a custo, escondendo papeis debaixo de papeis desejando pô-los a todos no arquivo geral, fui buscar os meus filhos. Ele pendurado em mim: Mãe tenho fome! Ela pendurada em mim: Mãe tenho fome!

Eu bem revirei os olhos e pensei: Mae salva-me!

Só muito mais tarde, depois de jantar, de pôr todas as minhas “Marias” em funcionamento e ter posto os miudos na cama (nao sem luta como é evidente, porque é muito mais giro estar a ver a novela ou a jogar pc do que estar na cama a dormir) é que consegui ir eu propria para a cama.

Peguei no meu livrinho, li algumas páginas e comecei a fechar os olhos... foi nesta altura em que já estava mais para lá do que para cá que pensei:

E pronto, terminou mais um dia absolutamente normal...

 

 

 

(para a "Fabrica das Histórias)

 

sinto-me: cansada! :-)
publicado por magnolia às 23:00
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Quando fiz sete anos...

Quando fiz sete anos o dia nasceu soalheiro apesar de estar no mês em que as folhas se tingem de mil cores e caem no chão, atapetando as estradas, os campos e os jardins. Mês em que uma brisa de Outono corre ao fim da tarde convidando a vestir um agasalho quentinho.

 

Era o meu primeiro dia de escola. E ainda por cima uma escola novinha em folha! Não tinha bancos, não tinha carteiras, não tinha livros nem lápis, mas estava cheia de meninos e meninas como eu, cheios de sonhos para cumprir! Não podia estar mais feliz!

 

Desde aquele ano que se tornou habito esperar ansiosamente pela escola e pelo meu aniversario ao mesmo tempo! Hoje os meninos começam a escola em Setembro, ainda é verão e não apetece ir a escola, mas naquela época começavam em Outubro e a vontade de rever os amigos, de estrear cadernos e jogar à macaca e ao lencinho era muito maior!

 

Lembro-me também, embora o tempo se tenha encarregado de esbater as lembranças, que quando cheguei a casa da minha avó ela tinha um lanche especial a minha espera: Broa quentinha para eu barrar com manteiga e ficar a vê-la derreter-se, preguiçosa, e depois deliciar-me com aquela gulodice maravilhosa!

 

À noite, já depois de anoitecer, a minha mãe chegou a casa e fizemos as duas o bolo de ovos. Naquela altura a família ainda era pequena, alem dos meus pais, só uma irmãzinha de um ano, que ainda não cantava, mas que bateu palmas com muita alegria ao ver a velinha a arder em cima do bolo!

 

Hoje sei que foi um aniversario pobre, com bolo feito em casa e sem amigos, sem festa,  sem balões mas também sei que tinha uma família que eu muito amava e que muito me amava e que tudo fez com muito carinho. Alem disso, penso eu hoje, tive o melhor presente que alguém pode ter: a escola juntamente com a promessa de aprender mil e uma coisas novas!

 

sinto-me: nostalgica
publicado por magnolia às 00:52
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