Domingo, 27 de Setembro de 2009

Tudo é possível quando se acredita o suficiente

 

imagem retirada da net

 


Isabel tinha finalmente conhecido o anão e eu estava sentada debaixo da laranjeira mais antiga na casa da minha avó. Segurava no colo o livro que me tinham dado no aniversário com muito cuidado. Era a história de uma menina chamada Isabel que costumava brincar numa floresta e que um dia encontrou uma enorme árvore de raízes que saiam do chão. Nessas raízes Isabel construiu uma casa para o seu amigo anão. Tornaram-se amigos. Muito amigos.

Eu olhei para a laranjeira e desejei que essa laranjeira também tivesse raízes que saíssem do chão. Desejei viver numa floresta mágica como a do livro. Desejei que alguma coisa de novo acontecesse na minha vida monótona.

Estava assim nestes pensamentos quando de repente um barulho estranho me chamou a atenção. Olhei para todos os lados e não vi nada de estranho. Voltei ao livro. Voltei a ouvir o barulho estranho e levantei-me. Ali bem próximo do muro que separava o quintal do bosque estava um coelho. Era o coelho mais bonito que eu alguma vez tinha visto. Muito grande, de pelo sedoso e olhos brilhantes. Senti que um sorriso se formou nos meus lábios. Pareceu-me que o coelho também estava a sorrir.

“Que parva que sou. Os coelhos não sabem sorrir!”

Andei um bocadinho para mais perto do coelho, mas ele começou a andar para o muro. Parei. Mas o coelho parou também e olhou para trás. Eu avancei novamente e ele também avançou. Depois parei novamente, porque já estava mesmo perto do muro. Mas o coelho voltou a parar como se me esperasse. Eu então resolvi ir atrás dele. Ele passou num pequeno buraco no muro. Por sorte eu também cabia.

“Que estranho. Nunca tinha visto este buraco…”

Entramos no bosque e o coelho ia olhando para trás, atento. Ele queria mesmo que eu o seguisse! Andamos bastante até que finalmente o pequeno coelho parou. Fui até ao pé dele e procurei por ali a ver o que me quereria ele mostrar.

- Os meus filhos estão ali dentro…

“O coelho falou?”

- Ajudas-me? Há uma raposa que está sempre a tentar apanhar…

“O coelho falou mesmo?”

- Por favor…

“Enlouqueci, só pode ser esta a explicação”

- Por favor menina…

Esfreguei os olhos, tapei os ouvidos. Nada resultou. O coelho, ou melhor, a coelha, continuava ali a olhar para mim e a pedir ajuda.

Eu só pensava que estava maluca! Os coelhos não falam!

- Foi o anão da árvore que me disse para te pedir ajuda…

- O anão da árvore?

- Sim, o anão da árvore do bosque encantado! Ele é meu amigo…

E sorria novamente. A coelha sorria mesmo! Era difícil de acreditar.

- Anão da árvore? Bosque encantado? De que estas a falar coelhinha?

- Tu sabes de quem estou a falar. Do teu amigo anão! Foste tu que lhe construíste a casa!

“Anão? Bosque encantado? Casa? Isabel? Isabel? Eu não sou a Isabel! Eu estava dentro da história?“ e soltei uma gargalhada! Só podia estar maluca!

- Por favor ajuda-me! A raposa vem ai de novo!

Ela parecia tão aflita que eu fui atrás. Numa pequena cova no chão estavam lá três coelhinhos muito pequeninos. Era tão bonitos e tão fofinhos! Agarrei-os e embrulhei-os na minha camisola.

- Pronto, pronto. Não fiquem assustados… eu vou tratar de vocês.

Mas mal disse isto olhei em frente e lá estava a raposa a olhar para nós. Rosnou e pude ver-lhe os dentes afiados. Tive um certo receio mas não me deixei intimidar. Peguei na mãe coelha e juntei-as aos filhos dentro da minha camisola e assim saímos dali bem depressa antes que a raposa nos alcançasse. Corri o mais que pude ate ao buraco no muro, a raposa sempre atrás de nos. Depois de repente ouvi um tiro. O meu coração saltou de medo. Não podia deixar que ninguém fizesse mal aos coelhinhos! Talvez fosse um caçador e se visse o coelhos não mos iria deixar levar.  Olhei para trás e vi a raposa no chão. Estava morta. O caçador devia já estar mesmo muito perto. Passamos rapidamente pelo buraco no muro e corri até perto da laranjeira. Depois pousei os coelhinhos no chão e corri a tapar o buraco. Depois arranjei uma caixa de cartão e uma camisola velha e pus lá a mamã e os seus filhotes.

Tinha sido uma aventura e tanto!

- Obrigada menina…

A coelhinha estava com ar tão feliz…

- Os coelhos não falam e eu estou maluca!

- Tudo é possível se acreditarmos o suficiente nisso…

E eu fiquei a pensar naquilo. Encostei a cabeça na árvore e fiquei a olhar a caixa com os coelhinhos a ver a mãe fazer um ninho para os pequeninos com pequenos pedaços de pêlo.

Creio que adormecei um bocadinho. O meu primeiro pensamento foi de ver os coelhinhos. Ao meu lado estava u livro e a minha camisola toda amarrotada, mas os coelhinhos não estavam.

“Pois claro, sonhei”

E até me ri de mim própria por ter pensado ser possível ter conhecido um coelho que falava! Levantei-me para ir para dentro, mas ao passar pelo muro não resisti a olhar para o lugar onde tinha visto o buraco no meu sonho. E fiquei de boca aberta! Estava lá o buraco! Era mesmo estranho que nunca o tivesse visto! Encolhi os ombros e entrei em casa.

“Estou a ficar maluca!”

- Olá filha! Anda ver a raposa que o teu tio apanhou ai atrás no bosque!

Eu olhei para o quintal e só me lembrei das palavras da coelhinha: tudo é possível quando acreditamos o suficiente…

 

 

sinto-me: :)
publicado por magnolia às 23:45
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Regresso a Madison County

imagem retirada da net

 

 

 

Quando iniciei a escrita desta história para a Fábrica tinha intenções de escrever algo sobre um dos momentos desses quatro dias retratados no filme, mas depois a unica coisa que me apeteceu mesmo fazer foi mudar o final da história. Todas as histórias de amor devem ter direito a um final feliz...

 

 

 

Francesca estava sentada na ponte que Robert tinha escolhido para fotografar em primeiro lugar. Mais uma vez tinha ido ali para reviver um pouco aqueles quatro dias de paixão avassaladora que passara com Robert. Ela bem sabia que tomara a decisão certa, mas de vez em quando as lembranças atingiam-na como punhais e ela deixava sair um pouco da sua mágoa. Era para ali que ia sempre nessas ocasiões e a verdade é que nenhum sitio poderia ser melhor que aquele.

Levantou-se e caminhou pela ponte coberta onde tinha estado com Robert. Não disfarçou sequer as lágrimas que lhe corriam pelo rosto. O eco dos seus passos no piso de madeira da ponte era exactamente igual ao eco dos seus passos uns anos antes. A diferença é que agora não era acompanhado por outro conjunto de passos…

Lembrou cada detalhe do rosto de Robert. Não era bonito, mas tinha um charme indiscutível. Além disso, em cada traço do seu rosto tinha lido honestidade, no seu olhar tinha lido paixão, nas suas mãos sôfregas uma imensa ternura. Um primeiro olhar tinha sido o suficiente para arrebatar o seu coração. Depois desse instante a sua vida mudou para sempre.

Depois de atravessar a ponte continuou a caminhar sem rumo. Viu as colinas que tinham visto os dois de mão dada, viu os campos em flor que anos antes tinham percorrido a correr como crianças.

Tinha renunciado ao seu amor verdadeiro por uma causa nobre: a família. Perguntava-se agora se teria valido a pena. O marido tinha ido embora em busca de algo a que ele chamava felicidade. Francesca sabia que ele tinha outra mulher. Os filhos há muito que haviam partido para a cidade em buscar de uma vida melhor. Francesca sentia que tinha tomado a atitude certa, mas que tinha sido muito pouco recompensada por isso. E isso deixava-a sempre angustiada e triste.

Tinha saudades de Robert. Saudades de o sentir, de o ouvir, de o amar. Tinha saudades de Robert que apenas eram atenuadas quando ouvia falar dele. As suas reportagens eram muito conhecidas. A publicidade à volta dele era grande e por isso estavam sempre a surgir referencias ao seu nome.

Francesca sentou-se debaixo de uma árvore perdida no campo. Era talvez o Verão mais quente dos últimos anos. Lamentou não ter um pouco de água para se refrescar. Depois fechou um pouco os olhos. A imagem que lhe aparecia nos pensamentos era a de Robert. Era sempre a de Robert.

Ouviu um restolhar ligeiro perto de si e abriu os olhos. À sua frente estava Robert tal e qual como o viu da última vez. Maquina fotográfica ao pescoço e chapéu de abas. Achou que estava a sonhar e esfregou os olhos. Mas a imagem que viu continuava ali e sorria. Não podia ser verdade…

 

- Tive esperança de te encontrar querida…

 

Francesca nada disse, apenas se lançou ao pescoço de Robert. Era mesmo verdade! Ele estava ali…Tinha desejado tanto aquele momento…

 

- Vieste querido Robert…Tive tantas saudades tuas…

 

- Ainda me queres?

 

- Todos os dias…

 

Caminharam de mãos dadas para casa. Riam como miúdos. Não fariam planos. Tentariam apenas ser felizes em cada dia de todos os dias que tivessem até ao fim dos seus dias...

 

 

 

 

Texto de ficção para a Fábrica das Histórias por Cláudia Moreira

 

 

 

sinto-me: pensativa
publicado por magnolia às 11:47
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